Este artigo foi escrito pelo Dr. Leonardo Salgado Alves (CRM-SP 209783) e tem uma função meramente EDUCATIVA para leigos, não devendo ser usado para realizar “autodiagnósticos” ou para guiar comportamentos sem supervisão médica.
Para correto diagnóstico e correta escolha de terapias e medicamentos, é necessário e obrigatório uma consulta com o Dr. Leonardo ou qualquer colega psiquiatra qualificado.
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Fugindo um pouco das definições clássicas e segmentadas, vou trazer uma definição mais original, ampla e explicativa.
A ansiedade pode ser entendida em dois pilares: A desregulação do medo e a antecipação do futuro.
Pelos estudos mais recentes, a hipótese mais atual e fundamental da ansiedade reside na desregulação do circuito cerebral da gestão do medo. De forma BEM RESUMIDA, estando tal função desregulada, o medo se descontrola e contamina a mente (que também podemos chamar carinhosamente de “psique”) da pessoa acometida. E quando o medo toma conta, as funções mentais de planejamento e projeção ficam deturpados.
É dessa interação que surge a “ansiedade”.
A antecipação do futuro, na verdade, acaba sendo um grande termo "guarda-chuva" (ou seja, que contém diversos outros termos dentro dele) para os sintomas ansiosos. É o grande termo que representa o "produto visível" da desregulação do medo.
Os principais sintomas dessa antecipação do futuro são:
- invasividade e persistência das preocupações na mente;
- pensamentos repetitivos sobre pendências futuras, por menos relevantes que elas sejam;
- catastrofismos em relação ao futuro e em relação às pendências futuras;
- hipervigilância e sensação de que algo está para acontecer a qualquer momento.
Outros sintomas mentais relacionados ao pensamento (desatenção, inquietação e outros tantos parecidos com ou derivados do que foi citado anteriormente) também podem ocorrer. E também é frequente a ocorrência de sintomas físicos relacionados ao excesso de pensamentos (como peso no peito, falta de ar e coração acelerado ou palpitando).
A explicação sobre ansiedade, dada anteriormente, é generalista e base para todo o espectro dos transtornos ansiosos.
Tais sintomas mentais citados anteriormente são facilmente identificáveis no transtorno mais frequente da atualidade, o Transtorno de Ansiedade Generalizada. Mas mesmo esses sintomas mentais (e também sintomas físicos) aparecem de forma parecida, como se fossem reeditados e adaptados, aos outros transtornos ansiosos.
Entram na classificação de ansiedade, segundo o DSM-5-TR (Diagnostic and Statistic Manual of Mental Disorders, fifth edition, text revised):
- Transtorno de Ansiedade de Separação;
- Mutismo seletivo (um importante diagnóstico diferencial do Transtorno do Espectro Autista);
- Fobias específicas (exemplos clássicos: fobias de lagartixas, baratas; ou quaiquer outros objetos ou até mesmo situações);
- Transtorno de Ansiedade Social;
- Transtorno de Pânico;
- Agorafobia;
- Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância/Medicamento;
- Transtorno de Ansiedade devido à outra condição Médica;
- Outro Transtorno de Ansiedade Específico (usado para a classificação de subtipos menos comuns, de características mais regionais ou que não preenchem critérios suficientes para os outros diagnósticos; exemplos seriam o “Khyâl cap” [ataques de vento] ou o “Ataque de nervios” [ataque de nervos]);
- Transtorno de Ansiedade não especificado (uma classificação para uso em condições que trazem sofrimento mas não preenchem critérios diagnósticos para os outros termos).
Digno de nota, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) não se encontram mais nesse “espectro da ansiedade” segundo o DSM-5-TR, apesar da comorbidade destes transtornos com os transtornos ansiosos ser frequente, e eles mesmos compartilharem diversas características psicopatológicas com as ansiedade clássicas.
Creio que, se você chegou até aqui, provavelmente se interessa pelo tratamento especificamente para a ansiedade generalizada (mais comum) e ocasionalmente pode ter esbarrado na ideia de ter algum outro transtorno ansioso. Mas vamos nos restringir a entender o tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada.
Em apertada síntese, temos 3 pilares para tratar a Ansiedade Generalizada:
- Mudança do estilo de vida (como iniciar atividades físicas, mudança de dieta, redução de tempo de telas etc);
- Psicoterapia (na teoria, o ideal seria a linha Cognitivo-Comportamental, pelo nível de evidência científica que foi possível fazer registro; na prática, qualquer linha de psicoterapia traz resultado consistente, de acordo com a minha prática clínica e a de muitos colegas de profissão);
- Medicamentos, sendo a primeira linha de uso os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (em breve teremos um artigo explicando e expondo os nomes deles), os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (em breve teremos um artigo explicando e expondo os nomes deles). Mas também é possível se utilizar outras classes de antidepressivos, como os tricíclicos, os atípicos e até iMAOs, além de outras classes de psicotrópicos, como os anticonvulsivantes e antipsicóticos.
Este artigo tem uma função meramente EDUCATIVA para leigos, não devendo ser usado para realizar “autodiagnósticos” ou para guiar comportamentos sem supervisão médica.
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